

HELOÍSA CORDEIRO
Tenho 61 anos. Nasci numa comunidade católica. Filho de pais católicos. Batizado na Igreja Católica. Criado por avós católicos, praticantes da doutrina. E, por obediência, acompanhava tudo: missas, rezas, eventos religiosos... Sempre temendo e acreditando em DEUS. Cresci. Me afastei da doutrina — não por completo. Mas o temor a DEUS e a fé... esses nunca me deixaram. Caía. Ficava triste. Mas levantava. E vinha o pensamento: Se estou de pé de novo, é porque uma mão me levantou. E só pode ser uma mão divina. Eu agradecia a DEUS... e seguia. Caía outra vez. Desanimava. Mas não perdia a fé. Levantava. Agradecia... e prosseguia. Aprendi com meus avós a não viver pedindo. Diziam que quem pede demais se humilha tanto que até a boca entorta. Nunca reparei nisso... mas aprendi. Então, só pedia a DEUS em último caso. E Ele... sempre me atendia. Sempre agradeci. E continuo agradecendo. Por tudo. Até pelas pequenas coisas. Porque tudo tem um porquê. Mesmo que só Ele saiba. Mas teve uma coisa... que eu pedi. E pedi muito. Quando comecei a ver meus contemporâneos — irmãos, amigos, até mais novos que eu — abraçando seus netos... encasquetei: Queria uma neta. E comecei a pedir a DEUS. Pensava: Se é bom abraçar uma sobrinha... imagina uma neta. Mas o tempo passava. Cada aniversário da minha filha... cada Dia dos Pais... e nada. Nem notícia. Nem sinal. E aquilo me deixava inquieto. Desanimado. Quase sem fé. Mas eu continuava pedindo. Mesmo contrariando os ensinamentos dos meus avós. Afinal... eu estava pedindo a DEUS. E Ele, na sua bondade, não ia reparar na minha “boca torta”. Mas confesso... teve hora que pensei que Ele não estava me ouvindo. Ou que não era pra mim. Ou que eu não merecia. Até que... tudo aconteceu. Na noite de 10 de agosto de 2019. Véspera do Dia dos Pais. Minha filha chegou... e me entregou um sapatinho vermelho. De menina. Era o sinal. Eu ia ser avô. E de uma menina. Do jeito que eu sonhei. Naquele dia eu gritei. Berrei. Chorei. E, de joelhos, na laje fria de uma Santo André gelada... agradeci a DEUS. Pela graça alcançada. Pela bênção recebida. Pedi perdão por duvidar. E minha fé... cresceu ainda mais. Porque tive certeza: Ele sempre me ouviu. E, se demorou... foi porque tinha o tempo certo. Como só Ele sabe. Assim como só Ele sabe... o tamanho da minha alegria.
S. Paulo, 27/04/2020 CORDEIRO de ITIÚBA
Enviado por CORDEIRO de ITIÚBA em 06/10/2026
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