

O LEITOR ENERGÚMENO E O MISSIVISTA AZEDO
Ontem, completou 35 anos que DEUS levou o meu mestre RAIMUNDO SOUZA. Mas eu ainda não o esqueci. De modo que estou sempre escrevendo cartas pra ele. Algumas eu deleto, outras viram crônica... Sexta-feira, no transporte coletivo, a saudade se assanhou ainda mais e resolvi escrever uma dessas cartas. E essa, virou crônica devido a uma ocorrência. Estava eu sentado, escrevendo — pra amenizar a saudade e porque é aniversário da partida dele: É, vovô, a saudade da minha terra é imensurável, principalmente agora que está chovendo tanto aqui. Fico imaginando essa chuva na minha ITIÚBA, no meu Urubu. O meu CALDEIRÃO DAS CABRAS estaria cheio. Eu poderia lavar meu rosto, já lavado de lágrimas... De repente, reparei que tinha um energúmeno em pé, acompanhando a escrita. E eu, pra matá-lo de raiva — ou de vergonha — por estar XERETANDO a conversa alheia, LASQUEI: Ah, vovô, é tanta coisa pra lhe dizer, mas, quando noto um ENERGÚMENO curiando minha mensagem, perco o entusiasmo de continuar escrevendo. Desliguei a tela do celular e esperei uma repreensão. Nada. O cabra não disse uma palavra. Talvez tenha ficado com vergonha. Ou talvez estivesse apenas esperando eu ligar a tela novamente pra ele terminar de ler. MAS MENINO... S. Paulo, 28/09/2026 CORDEIRO de ITIÚBA
Enviado por CORDEIRO de ITIÚBA em 28/09/2026
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