

CARAIBINHA E então, eu me vejo com o pé nos sessenta e oito anos. Os cabelos brancos, o corpo cansado, a vista alcançando cada vez menos... Enfim, a velhice chegou. Ainda “não caiu a ficha”, mas esses traços que citei, mais as anotações na minha certidão de nascimento, me dizem que a Caraibinha é logo ali. Mas eu digo é que ela espere. Se tem algo de que eu não gosto é de deixar ninguém me esperando. Mas, neste caso, mesmo sabendo que meu avô, meu pai, tio Rufino e tantos amigos estão lá me esperando, prefiro que eles continuem esperando por mais tempo. Gostaria de estar com eles, sim, mas na sombra de um umbuzeiro, lá nos terreiros do meu Urubu. Mas vamos falar do velhinho aqui. Falar sobre mim, dizer quem eu sou, não é fácil. Porque sou uma pessoa difícil de entender. Pra dizer melhor, nem eu mesmo me entendo. Sou perfeccionista, detalhista, rabugento, nervoso, estressado — tem um colega meu que diz que sou o único baiano estressado —, chato, metódico... Devo ter mais qualidades negativas, mas, por enquanto... Meu relógio biológico é adiantado. Não consigo corrigir o hábito de ler sempre as últimas páginas do jornal. Dos livros também. Ainda bem que a descarga do banheiro fica às nossas costas, porque fico impaciente para dar descarga. Se for o número um, antes de terminar, já apertei. O que não me aperta é a vontade de ir morar na CARAIBINHA. S. Paulo, 14/08/2026 CORDEIRO de ITIÚBA
Enviado por CORDEIRO de ITIÚBA em 09/09/2026
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