

FALHAS DA MENTEEstou feliz.
Já estou vendo o “meia-cinco” ali, no fim do túnel.
E, como tudo na vida, tem o lado bom e o ruim.
Mas eu procuro ficar com o bom.
Chegar lá… já é bom.
Aguardar o telefonema do ministro da Previdência, avisando que a aposentadoria caiu na conta e que não preciso mais trabalhar…
isso também é bom.
(Apesar da ansiedade.)
Ruim é enxergar só por trás dos óculos.
Ruim é não poder encarar um torresmo crocante — seja por falta de dente, seja pelo colesterol alto.
Mas o pior…
são as falhas.
Falha isso.
Não vou nem detalhar… porque tem gente que vai entender e ainda tirar sarro.
Mas uma falha que está me incomodando é a da mente.
Estou esquecendo das coisas.
Aniversário da família?
Remédio?
Assim como lembra que a cachaça… eu nunca esqueço.
Enfim…
é ela que me lembra de quase tudo.
Claro — sempre com bronca, resmungo e observação.
Fladamente.
E em alto e bom som.
Lembro que, quando casei, combinei com ela:
— Vai ser todo dia três. E mantive o compromisso por muito tempo.
Mas agora…
chega o dia três…
e eu não lembro.
Tem que ser lembrado.
Pra você ter uma ideia:
tem dia que até de ir trabalhar… eu esqueço.
Volta e meia, de manhã, recebo um empurrão.
Caio no chão.
E, injuriado, pergunto:
— O que foi que eu fiz pra você me derrubar da cama desse jeito? Soltei pum, foi?
E ela, zangada:
— Não! É segunda-feira! Vai trabalhar!
De ressaca mesmo! Quem mandou encher a cara?
Aí, com toda essa delicadeza…
com todo esse carinho…
eu levanto — do chão.
Tomo um banho rápido.
Um café frio, de ontem.
Escovo os dentes.
Pego a marmita.
Vou pra labuta.
E com cara de ressaca exerço minhas funções. FALHADAMENTE.
S. Paulo, 28/09/2023 CORDEIRO de ITIÚBA
Enviado por CORDEIRO de ITIÚBA em 02/09/2026
Comentários
|