

MÃOS SEDOSAS
Agripina, me perdoe. Eu não devia ter criticado suas mãos. Não daquele modo, com aquela cara de nojo. Eu não devia ter dito que você tinha mãos sebosas. Mas eu fui criado na cidade. Comia era pão com mortadela. Às vezes, só o pão. Tão tacanha era a minha vida... e a minha visão da vida. Buchada de bode, eu só conhecia de ouvir falar. Só fui conhecer quando voltei na minha ITIÚBA. Eu não sabia que era assim o processo de limpeza. Não sabia que, depois de processadas, ficava aquela comida tão falada, tão criticada, tão gabada... E servida pelas tuas mãos sedosas, sedutoras... Meu DEUS! Pra mim, ficou um manjar dos deuses.
Logo, sinto-me na obrigação de pedir desculpas. E, sempre que chegar à minha ITIÚBA, vou pedir esse prato. E mais. E mais carícias dessas mãos.
Santo André, 22/08/2026 CORDEIRO de ITIÚBA
Enviado por CORDEIRO de ITIÚBA em 23/08/2026
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