CORDEIRO de ITIÚBA

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OLHA AÍ O LÍRIO NO CANTO

— Olha aí o lírio no canto! — disse minha prima à patroa enfurecida, depois de quase duas horas de discussão, com minha prima sendo acusada de ter quebrado o vaso de lírio de estimação da patroa e escondido os cacos.

Desfeito o mal-entendido, a patroa saiu sem pedir desculpas. Minha prima bebeu um gole d’água, respirou fundo e veio imediatamente para minha casa me contar.

Na verdade, veio desabafar.

Minha prima a chamava de Jara. Um dia, perguntei a ela de onde a patroa era, pois, aqui no Brasil, conhecemos Lara, Dara, Mara... Mas Jara era a primeira vez que eu ouvia falar.

E ela me disse:

— Não, CORDEIRO. O nome dela é Agripina.

— Jara é abreviação de Jararaca, não é?

— Jararaca Silva, não é?

Então, até nisso ela tem as mesmas características, pois o nome completo dela é Agripina Praxedes da Silva.

— Espere aí, Hermenegilda! Jararaca com sobrenome? — perguntei.

Ela respondeu:

— VIXE, meu primo! Tu tá ficando velho mesmo. Esqueceu, CORDEIRO, que na escola a professora nos deu aula sobre as vozes dos animais? O leão ruge, o CORDEIRO bale — quer dizer, a ovelha bale —, a cobra silva... E jararaca não é cobra? Cobrar de mim algo da infância, é no mínimo uma atitude peçonhenta. Mas não disse isso à minha prima, ela quando se zanga, fica uma cobra.

S. Paulo, 19/08/2026

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Enviado por CORDEIRO de ITIÚBA em 19/08/2026


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