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MELANCOLIA

Me vi melancólico a partir do dia em que li Durval Marcondes, em Sinfonia em branco e preto, pois o seu poema dizia tudo o que eu estava vivendo. Vivendo, não. Passando naquele momento.

Foi a partir daí que comecei a refletir sobre carência, solidão, essas sensações que atormentam pessoas que, como eu, tiveram uma infância solitária. Porque eu nunca tive ninguém a meu lado, me orientando, me guiando, mostrando como se deve seguir.

Quem viveu à época em que vivi, lá no meu Urubu, na minha ITIÚBA, pode até não lembrar. Talvez por não ter prestado atenção em mim nem no fato, ou porque não tinha importância. Nem eu, nem os fatos.

Mas o fato é que os garotos da minha idade tinham uma vida diferente da minha. Os filhos de mestre Santo, do Bangue, do Miguel... viviam ali sob a proteção de D. Isaurinha, de D. Maria do Bangue, de D. Alzira... Os pais não davam assim tanta atenção, por ser isso atribuição das mães. Porém, ai de quem maltratasse um PIMPOLHO daqueles!

Eu não. Eu não tinha uma mãe para me proteger. Esse papel ficou para a minha avó, função que desempenhou com maestria até os meus onze anos.

A partir daí, quem me protegia e defendia era Raimundo Souza, até se casar. E isso foi em seguida. Havia também o fato de ele ser cego. E quem respeitava cego naquela época?

De modo que eu vivia perambulando pelas casas.

O meu relacionamento com meu pai era apenas de respeito. Carinho, amor, eu sentia era por Raimundo Souza.

Por eu ser o primeiro filho e do primeiro casamento do meu pai, ele tinha receio de se dedicar mais a mim e provocar ciúme na mãe, Isabel. E também porque a função dos pais, principalmente daqueles de ascendência árabe, era pôr comida em casa e manter as contas em dia.

E isso, graças a DEUS, meu pai honrou.

Em 2021, DEUS o levou. Mas os seus compromissos estavam em dia.

E a minha melancolia aumentou mais.

Agora, minha neta Heloísa está, dia após dia, afugentando essa melancolia. Ainda ontem, me mandou um poema.

Diante disso, a melancolia...

Por que estou escrevendo isto?

É porque domingo próximo é Dia dos PAIS e, no dia 18/08/2026, meu pai iria completar 92 anos.

S. Paulo, 14/08/2026

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Enviado por CORDEIRO de ITIÚBA em 14/08/2026


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