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A MULTIPLICAÇÃO DOS CÃES

"Levantando os olhos e vendo uma grande multidão que se aproximava, Jesus disse..."

Ih! Errei!

Esta crônica não é sobre a multiplicação dos pães. É sobre A MULTIPLICAÇÃO DOS CÃES.

Sei que o que vou dizer aqui vai bater de frente com o pensamento e as atitudes de muita gente nos dias de hoje. Mas é que eu venho de um lugar e de uma época em que cachorro era para defender o patrimônio do dono, ajudar na lida com o gado, acoar um preá... Nunca para enfeite.

Cheguei em SAMPA na época em que a prefeitura punha a carrocinha na rua para recolher os cães sem dono. E eles conheciam a carrocinha. Tenho guardada na memória a imagem daqueles cachorros correndo, fugindo, assim que a avistavam.

De modo que eu não estava preparado para o que meus olhos estão assistindo, meus ouvidos estão ouvindo e meu nariz sentindo.

É cachorro demais, gente!

Na minha opinião, começou assim: o padrinho, o amigo ou algum parente presenteia uma criança com um cachorro "lindinho". O amiguinho, quando toma conhecimento, também quer um, prometendo zelar dele. Porém, passado o encanto, se não houver um avô para cuidar do animal, a tendência é o pai dessa criança levá-lo para um bairro distante e abandoná-lo junto com tantos outros cães.

E aí...

A MULTIPLICAÇÃO DOS CÃES.

Agora, antes de continuar a leitura, entenda uma coisa: eu não estou insultando os cães. Muito pelo contrário. Estou dizendo que eles fazem o que sua natureza permite. Os irresponsáveis são os donos.

Escrevi um poema chamado VENENO, que relata as fezes espalhadas pelas calçadas. Se você não tiver cuidado e andar olhando apenas para a frente, acaba sujando o sapato.

Em conversa com uma amiga sobre esse poema, desabafei dizendo que, se o cachorro entendesse o que a gente fala, quando eu dissesse:

— Olha aí o que você fez!

Talvez ele olhasse para trás, abanasse o rabo, baixasse a cabeça e fosse embora meio sem graça.

Ou, quem sabe, pensasse:

— Eu faria a minha parte... Mas quem manda é meu dono.

E saibam: até os gatos têm mais educação do que certos donos de cachorro. Porque eles não recolhem suas fezes, mas as escondem.

Os homens deveriam aprender com eles.

Porque, muitas vezes, os animais demonstram mais civilidade do que quem segura a coleira.

Mas, como eu não posso dizer isso diretamente ao dono do cachorro — porque ele vai é se enfezar comigo — escrevo.

Prefiro escrever uma crônica.

Porque a bronca passa.

Mas a escrita fica.

São Paulo, 06/08/2026
www.cordeiropoeta.com.br

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Enviado por CORDEIRO de ITIÚBA em 06/08/2026


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