CORDEIRO de ITIÚBA

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AS MÃOS QUE ME RESTAM

 

Minhas mãos inábeis, cansadas
Alcançadas pela idade
Nem vaidade têm mais

Mas tantas coisas
Boas elas alcançaram

Calçaram tantas luvas:
Da esperança, da coragem
Do trabalho, da gratidão...

E tiveram momentos
De glória!

Glória a DEUS!

Não tiveram a trajetória das mãos
Do mestre RAIMUNDO SOUZA
Nem a história das mãos

De D. BERNARDINA, a mamãe

 

Também nunca pegaram
Numa palmatória
Como as mãos da tia Clarice

Não eram hábeis
Não tiveram calos
Nem eram MAGRAS E BELAS como
As mãos do seu ADONIAS o meu pai

Mas seguram com amor
As mãos da minha Clara
E também as da minha filha Diana

Gesto esse
Que faz ela segurar o choro

Eu não me seguro
Eu choro

Choro, às vezes, de saudade
Às vezes, de felicidade

Saudade de não ter segurado
Por mais tempo
As mãos do vovô
As mãos da mamãe
As mãos do papai...

Mas tenho a felicidade
De ainda segurar
As mãos da minha Clara
Da minha filha Diana
E, agora
As mãos da minha neta Heloísa

Que estão segurando
A minha vida

S. Paulo, 02/06/2026

www.cordeiropoeta.com.br

 

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Enviado por CORDEIRO de ITIÚBA em 02/07/2026


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