

DÓ RÉ MI FAZ SOL LÁ SIM Agripina, um PITEUZINHO, como dizem vocês jovens (lembrando que essa situação aconteceu no final dos anos 80), paulista, da região de Araçatuba, por quem eu estava, vamos dizer, apaixonado, vivia de bar em bar comigo, tomando cerveja. E numa noite, enquanto tomávamos uma cerveja, lhe convidei para ir conhecer a minha ITIÚBA. E ela soltou a seguinte pérola: — Eu ir naquele lugar, onde o sol é tão quente que é possível assar uma pizza no asfalto? Faltou filtro, paciência... Mas, na hora, consegui me conter. Mudei de assunto, pedi a conta, disse que tinha lembrado de um compromisso, paguei a conta e fui para casa. Quer dizer: o corpo foi, mas a cabeça ficou lá no boteco, naquela frase. Tomei banho, deitei, mas não consegui dormir. Meu DEUS! Aquele PITEUZINHO, para meus olhos, era colírio. Mas o orgulho ferido, falou mais alto, pois não tolero que ofendam a minha ITIÚBA. De modo que levantei, tomei um uísque, tomei outro banho, criei coragem e decidi ligar para ela. Mas, com medo de não dizer tudo o que queria dizer, ou dizer coisas que ultrapassassem os limites, resolvi escrever uma carta. Escrevi: “Agripina, você tem um rosto tão bonito, uns cabelos lindos, mas a cabeça que carrega esses cabelos deve ter terra no lugar de cérebro. E sobre o convite que lhe fiz, pensei melhor: você está desconvidada! E a razão vou lhe dizer: faz sol lá sim, na minha ITIÚBA! Mas no inverno, não faz esse frio que faz aqui. E vocês não se acostumam, nem nunca vão se acostumar. E mais: pode até ser que a quentura de lá asse pizza no asfalto, como você diz. Mas pizza, todo mundo gosta. E se você for para a minha ITIÚBA, tenho medo de que o sol de lá possa assar o seu cérebro, se é que você tem. E o seu cérebro assado, frito, cozido... não há molho, vinagrete, tempero nenhum que faça qualquer vivente degustar e gostar. Até nunca mais. E lembre-se: FAZ SOL LÁ SIM!”
Santo André, 30/06/2026 CORDEIRO de ITIÚBA
Enviado por CORDEIRO de ITIÚBA em 30/06/2026
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