

DESENCANTO DOS CANTOS TRISTES
A prisão da cidade grande Prendeu meu direito de cantar
Pior foi no tempo Em que a pandemia Me deixou mais preso ainda
De modo que Quando eu me “soltava”
Soltava um pouquinho da voz Na rua
Mas era baixinho
E por trás da máscara
Pra ninguém notar Pelos movimentos labiais
Que eu cantava triste Uma música triste
Mas já fui alegre
Bicho solto
Já soltei a voz Pelas estradas da minha ITIÚBA
Eu ia do meu Urubu ao Cupim Do Cupim ao Ponta baixa E do Ponta baixa ao meu Urubu
Cantando
Alegre Feliz
Feliz e sem saudade
Hoje Saudoso Desencantado Com as músicas atuais
Ainda canto
Mas é triste
E só as músicas do meu tempo
Num templo meu Num canto escondido
Canto é debaixo do chuveiro
Canto é de saudade
Saudade de quando chegava “Do São Paulo” Na minha ITIÚBA
E abria a garganta Por aquelas veredas Com toda força dos pulmões
De modo que D. Maria do Jovino me ouvia
E via razões pra me visitar
Dar as boas-vindas
E me dar Não apenas um ovo
Dar uma dúzia
E mais...
Um abraço!
S. Paulo, 28/05/2026 CORDEIRO de ITIÚBA
Enviado por CORDEIRO de ITIÚBA em 01/06/2026
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