

O PREÇO DA BANANA
O assalariado aqui, de segunda a sexta-feira, carrega marmita. Primeiro, porque para comer diariamente em restaurante, teria que ser multiassalariado — e não apenas assalariado. E, segundo, porque a marmita da minha nutricionista é deliciosa, nutritiva e bem mais em conta. E, na sacolinha, acompanhando a marmita, frutas. De uns meses pra cá, nem sempre. E, quando levo, é pouca. Mas antes, quase todos os dias, a companhia da marmita era banana, que eu levava embrulhada em papel de pão, para o pessoal do trem não reparar. Isso era no tempo em que, quando se encontrava alguma coisa muito barata, se dizia: “isso aqui tá a preço de banana”. Nesses últimos dias, quando surge uma promoção na feira, na quitanda, no sacolão ou no mercado, compro meia dúzia e levo por três dias seguidos. Detalhe: a marmita vai enrolada numa sacola preta, para que os mesmos passageiros diários do trem, metrô e ônibus não vejam e digam: “de novo, miojo e ovo?” Porém, a banana… a banana, não! É no plural — afinal, são duas! Faço questão de levar em sacola transparente. Ostentação, de vez em quando, faz bem para o ego.
CORDEIRO de ITIÚBA
Enviado por CORDEIRO de ITIÚBA em 13/05/2026
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