CORDEIRO de ITIÚBA

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CACHORRO, QUEM TE QUER?

 

 

Chegou o quarto dia útil do mês.

 

Eu… com apenas dez pratas no bolso.

 

Plano do dia: duas latinhas de cerveja — compradas no mercado — depois do almoço.

 

Mas, quando chegou a hora…

 

A marmita estava azeda.

 

E eu — azedo de fome — saí a perambular pelo centro de Artur Alvim, à procura de alguma ração que desse pra pagar com aquelas dez pratas.

 

De repente, avisto um trailer.

 

Uma moça simpática, sentada ao lado de um banner:

 

CACHORRO-QUENTE
com duas salsichas — R$ 7,00

 

Sorri por dentro.

 

“Olha aí… ainda sobram três pratas. Dá até pra fazer uma fezinha no bicho.”

 

Fiz o pedido.

 

A moça, toda simpática:

 

— Só um instantinho que vou chamar minha tia. Ela foi ali jogar no bicho… ela joga todo dia no grupo do cachorro.

 

Saiu.

 

Voltou.

 

Com a tia.

 

E a tia… com um cachorro nas mãos.

 

E, sem lavar as mãos, disse:

 

— Só um instantinho que vou montar seu lanche.

 

Olhei pro celular.

 

Respirei fundo.

 

— Moça, me desculpe… não tinha reparado nas horas. Não vai dar tempo. Volto outro dia.

 

E voltei pro trabalho, com nojo da falta de higiene e com raiva porque iria passar o resto do dia com a tripa seca.

 

À tarde, na volta, já meio revoltado, parei na padaria SALETE pra tomar uma.

 

Tomei.

 

Paguei com as dez pratas.

 

E o troco…

joguei no grupo do cachorro.

 

Não deu.

 

Já tinha dado à tarde.

 

E eu fiquei no mato sem cachorro. Ou melhor, com a maior cara de cachorro.

 

Cachorro sem dono.

 

S. Paulo, 17/07/2023

www.cordeiropoeta.com.br

 

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Enviado por CORDEIRO de ITIÚBA em 01/04/2026


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