CORDEIRO de ITIÚBA

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DE “CALÇA CURTA”

 

Quem me acompanha — e lê minhas crônicas, como “CIRO JOÃO DENTISTA” — sabe que passei uns dias em Filadélfia, na casa de uns primos.

Cheguei por lá vestido numa “calça curta”, feita por tia Luiza do Ramiro, costureira da nossa comunidade.

E foi justamente essa peça que me rendeu o apelido:

BERMUDÃO.

Eu nem sabia o que era bermuda, bermudão…

Então, não dei importância. Só fiquei enfezado, quando os meninos lá do meu Urubu (justamente por conta dessa bermuda, ou CALÇA CURTA. Sei lá!), me chamaram de “pinto calçudo”. Isso me ofendeu ao extremo. Porque isso, ao pé da letra eu não sabia o que era. Mas me senti ofendido.

Mais tarde, já morando em Linhares ES, meu primo Edmilson me deu outras “calças curtas”.

Mas, dessa vez, explicou:

— Isso aqui é bermuda.

Pra mim, foi o melhor presente que já tinha recebido.

Até que o irmão dele, Oliveiros de Souza — o Capixaba — resolveu dar opinião.

Olhou pra mim… e disse:

— Cordeiro, se eu tivesse umas canelas secas e lisas que nem as suas, parecendo uma garrafa… nunca usava bermuda.

Pronto.

Ali ele tocou numa ferida que eu nem sabia que existia.

Olhei pras minhas canelas…

E me envergonhei.

Passei anos sem usar bermuda.

Até o dia em que resolvi:

Quem gostar, goste.
Quem não gostar… não olhe.

As canelas são minhas.

E eu vou usar bermuda, sim!

E uso até hoje.

Mesmo com as canelas mais secas do que naquela época.

(Minha filha diz que, além das canelas serem secas, a pele também é.)

Mas sigo firme.

De “calça curta”.

Digo… de bermuda.

Sem me preocupar com ibope.

 

S. Paulo, 29/01/2026
www.cordeiropoeta.com.br

CORDEIRO de ITIÚBA
Enviado por CORDEIRO de ITIÚBA em 01/04/2026


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