CORDEIRO de ITIÚBA

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CIBÔLA BRABA

 

Dia desses, sonhei que tinha visto — não sei onde, não sei o quê. Só sei que a imagem não me saía da cabeça. Fiquei matutando, até que, pimba: caiu a ficha!

O lugar era o meu Urubu, na minha ITIÚBA. E o que eu tinha visto no sonho era CIBÔLA BRABA.

Sim, senhor. CIBÔLA BRABA!

Porque foi assim mesmo que aprendi a falar. Foi assim que minha avó me ensinou:

— Meu fio, isso não é uma fulô qualquer, não. Ela é venenosa. Isso é a fulô da cibôla braba. Não mexa nela!

Sim, senhor... era assim mesmo que ela falava.

Porque no meu Nordeste nós temos um dialeto peculiar, um vocabulário próprio. Tão próprio que certas palavras só quem é de lá — quer dizer, quem viveu ou ainda vive por lá — entende.

Confesso que hoje, morando no Sudeste, já nem sei mais o significado de algumas delas. Mas sei que ainda falo muita coisa em NORDESTINÊS.

E sei também que bateu uma saudade retada.

Saudade da minha avó.
Da minha infância.
Da minha ITIÚBA.
Do meu Urubu.
Do meu pai.
Da minha “mãe” Isaurinha...

E de estar deitado — agora que lá está chovendo — à sombra de um pé de umbuzeiro, cercado de fulô de cibôla braba.

Mas, neste momento, braba mesmo é só a minha saudade... e essa pandemia.

 

Santo André, 15/10/202

www.cordeiropoeta.com.br

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Enviado por CORDEIRO de ITIÚBA em 23/03/2026
Alterado em 23/03/2026


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