CORDEIRO de ITIÚBA

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Hoje, ao abrir o armário do banheiro, vi que só tinha um sabonete e o alerta foi ligado: hora de ir ao supermercado fazer compras. Enquanto isso está sendo possível. Aí você pergunta: por que você está falando isso? Eu lhe digo, é porque estou assustado! É porque o temor está tomando conta da gente. Hoje, pessoas se aglomeram na “fila do osso”, trabalhadores madrugam nas filas, em busca de uma vaga de emprego, como nos velhos tempos. Quando poucos tinham emprego, quando poucos tinham renda, quando os patrões mandavam e desmandavam no sistema. Logo, não se fazia compra em supermercados, ou melhor, pouca gente fazia. Isso me fez lembrar da minha tia, que viveu nessa época e conta que na época a qual me refiro, as compras era na venda mais próxima, e limitadas, às vezes fiado. E diariamente, na venda ela comprava meio litro de óleo (sim o óleo de comida, vinha para a periferia em tonéis e era vendido a varejo), 100 gramas de manteiga (que vinha em latas de cinco quilos pra também ser vendida no varejo), dois pães e um saquinho de leite tipo C. Passava no açougue e comprava quatro bifes, um para o almoço, dois para o jantar e o outro para a marmita. Marmita que teria que ser feita pela manhã, pois não tinha geladeira e o risco de o alimento estragar era grande. Restaurante? Não, ela não conheceu o interior de um restaurante. Seus passeios para o Nordeste, eram de ônibus "clandestinos" que além da passagem ser mais barata, não tinha limite de bagagem. E ela, claro, entupia o ônibus de presentes para os parentes. Presentes que eram quase todos de roupas e calçados usados, porque a população nordestina padecia de uma pobreza crônica. Eu graças a DEUS, não vivi essa época. Graças a DEUS, repito! Pois um homem, um nordestino, um homem que quis governar para o povo, mudou esse cenário entre o tempo que minha tia conta e agora. Eu por exemplo, eu vim pra cá, já foi de avião, com roupas novas, compradas lá mesmo. E foi por curiosidade que eu vim, não foi fugindo de nada não. Graças a DEUS. Queria conhecer o Sul/Sudeste terra das oportunidades. Oportunidades que também já temos no Norte/Nordeste. Hoje, lá todas as residências tem água de cisternas, ou de poços artesianos, luz, e claro, eletrodomésticos. Fora outras benfeitorias. Graças a esse homem que eu mencionei, que todo o Brasil sabe quem é, o Brasil só não, toda a América do Sul e muitos países europeus e asiáticos também o conhecem e admira. Lamentavelmente conseguiram destruir esse homem que batalhou para que esse panorama mudasse. Não, não estou dizendo que isso mudou só a partir do governo desse homem, estou dizendo que a partir do momento que ele entrou no cenário político, as coisas foram mudando e quando ele assumiu a presidência, aí melhorou mais ainda. Agora, que politicamente acabaram com ele, querem também acabar com o seu legado (será?), com a sua história. O pior, é que não vejo uma luz no fim do túnel, vejo apenas o túnel se afunilando cada vez mais e ficando cada dia mais escuro.

 

 

Registros de memória de um nordestino que não esquece a raiz, para que a história não seja incinerada pelo tempo

 

Santo André, 14/10/2021

www.cordeiropoeta.com.br

 

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Enviado por CORDEIRO de ITIÚBA em 27/02/2026
Alterado em 27/02/2026


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