CORDEIRO de ITIÚBA

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SUTILEZA DO TATO

RAIMUNDO SOUZA, meu mestre, meu avô, tive que vir aqui, nesta tela, para escrever isto. Sei que não vai ler, porque não enxerga, porque não está mais aqui... Porém, quando aqui estava, também não enxergava, mas mandava eu escrever na sua mão e lia com a sensibilidade do tato. Lembra disso? Eu não esqueço!

​Pois é vovô, a lembrança dessa sensibilidade, desse tato, dessa tática, teve requinte de realidade neste Carnaval. E é por isso que estou escrevendo este texto. Vovô, no Carnaval, enquanto muitos estão se refestelando no frevo, eu fervo de raiva, porque não simpatizo com ele. Mas neste Carnaval eu pulei. Ou melhor, pularam lágrimas dos meus olhos.

​Vou explicar.

​Sua tataraneta Heloísa veio ficar comigo e, quando ela está comigo, minha atenção é só para ela, para as brincadeiras dela. Numa dessas brincadeiras, ela disse: “Vovô, feche os olhos e abra a mão”. Fiz isso. Ela colocou algumas tampinhas na minha mão e ordenou: “Agora feche a mão e, com a sensibilidade do tato, acerte quantas tampinhas tem”.

​Tem como não segurar as lágrimas?

​Chorei, chorei sim. E expliquei para ela o porquê do choro; ela entendeu e ficou feliz com a história da ancestralidade dela.

​Pronto! Ganhei meu dia.

​Santo André, 22/02/2026

www.cordeiropoeta.com.br

 

CORDEIRO de ITIÚBA
Enviado por CORDEIRO de ITIÚBA em 23/02/2026


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